Quando o leão de purpura dos Silvas perder a sua lingua negra acabará a familia a que vaes pertencer prophetisára o Roque a uma das suas netas, na vespera do casamento, uma noite de luar coado a custo pelas abobadas do espesso arvoredo n'uma das avenidas da quinta de Bellas. O Roque nunca mentira. Nas suas apparições pelo parque ensinava o paradeiro de thesouros escondidos, annunciava o advento de desejados herdeiros, denunciava os culpados que compromettiam com roubos os creados fieis, e diz-se até que consolára alguns corações com indiscretas confidencias. Se era alma penada (e era decerto, pois assim o affirmam auctoridades de que não é licito duvidar) a ninguem mettia medo. Sobrinhas e n…
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