Epistola de Manoel Mendes Fogaça: Dirigida de lisboa a hum amigo da sua terra, em que lhe refere como de repente se fez poeta, e lhe conta as proezas de hum rafeiro.

· 1831

DIRIGIDA DE LISBOA A HUM AMIGO DA SUA TERRA, EM QUE LHE REFERE COMO DE REPENTE SE FEZ POETA, E LHE CONTA AS PROEZAS DE HUM RAFEIRO. Por certo, Amigo, que benzer te deves De me observares subito Poeta! Em proza de lá vim, e escrevo em verso! De perfeita saude hum corpo goza, E he do contagio subito assaltado. Se entre doentes de malignas vive. Nunca grassou na Imperial Lisboa Maior contagião de infindos Vates: He tinha que se apega, e se propaga, Como se estende no Levante a peste. Entro em hum Botequim, são Vates todos; Eu bebo tãobem ponche, e fico Vate. Se vou para a Comedia, ouço Elogios, E quando volto pela rua grito: =Honra, Patria, Virtude, ó Tejo, ó Douro. Brilhai na escuridão; que a…

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