Sonetos de Anthero

Quental, Antero de · 1891

Amigo Anthero, Aproxima-te á machina: o retrato Quero fique a primor. Eia! Arrepela-me Essas bastas gadelhas côr das messes Lá quando ao largo foge em tarde estuosa O grande _Moribundo_! Ergue essa fronte! Fita-me com esse olhar tão sobranceiro De vivo lume cheio e puro aféto! Inclina mais ao lado o teu sombrêro, E assenta no quadril a mão segura Do braço firme e leal. Estende a perna... Deixa ficar-te assim, que estás famoso. Como ha para cada latitude uma estrela, para cada estrela uma luz sua; ha para cada evolução da Arte uma forma propria, unica, perfeita.…

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