Elegia da solidão

· 1952

O incendio do sol-pôr exala um fumo rôxo Que ás cousas vela a face... A macerada flôr da solidão renasce; O seu perfume é fria e branda magua, Bruma que já foi agua... Todo sombra e luar esvoaça o môcho; Uma nuvem enorme, ao longe, no poente Desvenda o coração que se deslumbra E abraza intimamente... O silencio a crescer, é onda que se espalha... Sente-se vir o outomno; é já noitinha, orvalha... Nos êrmos pinheiraes gemem as _noitibós_ E vultos de mulher, sumidos na penumbra, Passam cantando, além, com lagrimas na voz... Ó tristeza do mundo em tardes outomnaes! Longinqua dôr beijando-nos o rôsto... Crepusculo esfumado em intimo desgôsto, Bôca da noite acêsa em frios ais... Aparição soturna,…

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